O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, defende que compreender a doença de Alzheimer vai muito além de identificar esquecimentos pontuais. Trata-se de uma condição neurodegenerativa complexa, cujo impacto se estende às famílias, ao sistema de saúde e à qualidade de vida do paciente. Neste conteúdo, serão abordados os avanços no diagnóstico precoce, as terapias emergentes, o papel do cuidador e as perspectivas mais promissoras para o tratamento dessa enfermidade.
O que define a doença de Alzheimer e por que ela ainda é subestimada?
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo, respondendo por cerca de 60% a 70% de todos os casos diagnosticados. Seu desenvolvimento ocorre de maneira silenciosa, com alterações cerebrais que se iniciam anos, às vezes décadas, antes dos primeiros sintomas clínicos.
Apesar da relevância epidemiológica, a doença ainda é frequentemente confundida com o envelhecimento natural, o que atrasa o diagnóstico e compromete as possibilidades terapêuticas. A falta de informação entre a população e, em muitos casos, entre profissionais de atenção primária contribui para que o paciente chegue ao especialista apenas em estágios avançados, quando as opções de intervenção já são mais limitadas.
Como o diagnóstico precoce muda o prognóstico do paciente?
Segundo o pós-graduado em geriatria Yuri Silva Portela, identificar a doença em suas fases iniciais permite não apenas retardar a progressão dos sintomas, como também planejar estratégias de cuidado centradas na autonomia do paciente. Ferramentas como a ressonância magnética de alta resolução, os biomarcadores no líquido cefalorraquidiano e, mais recentemente, os exames de PET scan para amiloide têm revolucionado a capacidade diagnóstica da medicina.
Testes cognitivos padronizados, como o Mini Exame do Estado Mental e a Avaliação Cognitiva de Montreal, permanecem úteis na triagem clínica, sobretudo em ambientes com recursos limitados. A combinação dessas abordagens cria um panorama mais preciso, possibilitando intervenções farmacológicas e não farmacológicas antes que o comprometimento cognitivo se torne severo.
Quais são as terapias emergentes mais promissoras para o Alzheimer?
Nos últimos anos, o cenário terapêutico passou por transformações significativas. Medicamentos baseados em anticorpos monoclonais, como o lecanemab e o donanemab, demonstraram capacidade de remover placas de amiloide do cérebro e desacelerar o declínio cognitivo em pacientes nas fases iniciais. Essa nova classe de tratamentos representa uma mudança de paradigma no manejo da doença.

Paralelamente, pesquisas voltadas à neuroproteção, à modulação da neuroinflamação e ao uso de células-tronco ganham força nos principais centros de pesquisa do mundo. O doutor Yuri Silva Portela acompanha essas tendências de perto e ressalta que o acesso a essas tecnologias precisa ser democratizado, garantindo que os avanços científicos não fiquem restritos a países de alta renda.
De que forma o estilo de vida influencia o risco de desenvolver Alzheimer?
A medicina moderna tem consolidado evidências robustas de que fatores modificáveis exercem papel determinante no risco de desenvolver demência. Práticas como exercício físico regular, alimentação baseada em vegetais e acompanhamento rigoroso de condições como hipertensão, diabetes e obesidade reduzem substancialmente a vulnerabilidade cerebral ao longo do tempo.
O pós-graduado em geriatria, Yuri Silva Portela, ressalta a importância do sono reparador e da estimulação cognitiva contínua como pilares da prevenção. Atividades intelectualmente desafiadoras, vínculos sociais ativos e a gestão eficaz do estresse compõem um conjunto de hábitos que, adotados precocemente, funcionam como escudo contra o declínio neurológico.
Qual é o papel do cuidador no acompanhamento de pacientes com Alzheimer?
O cuidado com quem cuida é uma dimensão frequentemente negligenciada no manejo do Alzheimer. Familiares e cuidadores formais enfrentam sobrecarga emocional intensa, risco elevado de depressão e isolamento social. Programas de suporte psicológico, grupos de apoio e orientação técnica são fundamentais para sustentar a qualidade do cuidado prestado ao paciente.
Yuri Silva Portela resume que a abordagem multiprofissional, envolvendo médicos, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais, é o modelo mais eficaz para garantir dignidade e segurança ao paciente com Alzheimer. O fortalecimento das redes de cuidado, tanto no âmbito familiar quanto institucional, é condição indispensável para enfrentar os desafios que a doença impõe a toda a sociedade.
O enfrentamento do Alzheimer exige investimento contínuo em ciência, políticas públicas e educação em saúde. Cada avanço diagnóstico e terapêutico representa uma oportunidade concreta de transformar a trajetória de milhões de pessoas e de suas famílias ao redor do mundo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



