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Inteligência artificial: Veja como os bancos a utilizam na análise de crédito e na prevenção de fraudes

Os bancos colocaram a inteligência artificial no centro de decisões que antes dependiam de analistas, planilhas e regras fixas, destaca Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos. Hoje, algoritmos avaliam pedidos de crédito em segundos e monitoram transações em tempo real. Essa mudança altera a relação entre instituição e cliente, porque transfere parte da decisão para modelos que poucos usuários compreendem. Interessado em saber como? Confira, a seguir.

Como a inteligência artificial melhora a análise de crédito nos bancos?

Tradicionalmente, a análise de crédito se apoiava em renda comprovada, histórico de pagamento e score. Isto posto, de acordo com Paulo de Matos Junior, os modelos de aprendizado de máquina ampliam esse retrato, pois cruzam padrões de movimentação, comportamento de pagamento e dados cadastrais para estimar a chance de inadimplência. Assim, na prática, clientes sem um histórico formal ganham chance de aprovação, e a instituição reduz perdas com mais precisão.

Aliás, esse ganho de precisão depende da qualidade dos dados que alimentam o modelo. Um algoritmo treinado com informações incompletas reproduz distorções antigas em escala maior. Por isso, as instituições investem na limpeza das bases e na revisão periódica dos resultados antes de ampliar o uso.

Como a tecnologia ajuda a barrar fraudes bancárias?

Nas fraudes, a velocidade decide o resultado. Os sistemas de detecção comparam cada operação com o perfil habitual do cliente, considerando horário, local, valor e dispositivo. Desse modo, quando algo foge do padrão, o banco bloqueia a transação, pede uma confirmação extra ou aciona a equipe de segurança. Segundo Paulo de Matos Junior, esse processo leva milissegundos, algo inviável para uma análise manual. Tendo isso em vista, entre as frentes de proteção mais comuns, estão:

  • Análise comportamental: identifica desvios de hábito em compras, Pix e transferências;
  • Biometria e dispositivo: confirma a identidade por rosto, digital e reconhecimento do aparelho;
  • Engenharia social: sinaliza transferências feitas sob pressão ou orientação de golpistas;
  • Contas laranja: rastreia redes de contas que recebem e repassam valores suspeitos.

Essas camadas funcionam de forma combinada, e a falha de uma ainda deixa as outras de prontidão. Assim sendo, a proteção mais eficaz une a tecnologia com a educação do cliente, uma vez que os golpistas costumam explorar a confiança das pessoas tanto quanto as brechas dos sistemas, frisa Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos.

Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

Quais limites a inteligência artificial ainda enfrenta?

Nenhum modelo acerta sempre. Os falsos positivos bloqueiam compras legítimas e irritam o cliente, enquanto os falsos negativos deixam golpes passarem. Além disso, os criminosos também usam inteligência artificial, com vozes e vídeos falsificados, para driblar a verificação de identidade. Assim sendo, os modelos exigem atualização constante, e a supervisão humana permanece indispensável nos casos de maior risco ou de maior valor.

Há também um limite de ordem prática. Muitos clientes aprovam alertas sem ler, e esse hábito enfraquece qualquer sistema. Em resposta, os bancos testam mensagens mais claras, atrasam transferências incomuns e criam pausas de confirmação para dar ao usuário tempo de perceber que está diante de um golpe.

Por que a transparência importa nas decisões automatizadas?

Quando um banco nega crédito, o cliente quer saber o motivo. Modelos complexos funcionam como caixas-pretas e nem sempre explicam quais variáveis pesaram na decisão. Conforme pontua Paulo de Matos Junior, esse silêncio gera desconfiança e abre espaço para discriminação indireta, quando critérios aparentemente neutros prejudicam determinados grupos. Inclusive, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) prevê o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas apenas por sistemas automatizados.

Dessa forma, as instituições que documentam seus critérios, auditam vieses e oferecem um canal claro de contestação conseguem reduzir conflitos e fortalecer a reputação. Logo, explicar a decisão deixou de ser diferencial e virou requisito de confiança. E, para o cliente, isso significa perguntar, exigir justificativa e comparar propostas antes de aceitar qualquer oferta.

Algoritmo eficiente só convence quando o cliente entende a decisão

Em conclusão, o avanço da inteligência artificial nos bancos é irreversível, e seus benefícios no crédito e na prevenção a fraudes já aparecem no dia a dia. Assim sendo, o próximo passo do setor depende menos de novos algoritmos e mais de explicações claras, supervisão humana e respeito ao cliente. Ou seja, quem une eficiência e transparência sai na frente.

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