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Por que intensidade e segurança emocional não são a mesma coisa, na análise de Taiza Tosatt Eleoterio 

Relações marcadas por emoções muito intensas costumam ser interpretadas como sinais de conexão profunda. Ciúmes intensos, reconciliações dramáticas após brigas ou a sensação de nunca saber o que esperar do outro são, com frequência, lidos como prova de paixão genuína, e não como algo que mereça atenção.

No entanto, intensidade e segurança emocional nem sempre caminham juntas, e confundir esses conceitos pode dificultar a construção de vínculos saudáveis, prolongando relações desgastantes justamente por parecerem, à primeira vista, mais significativas do que vínculos mais estáveis. Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, esse é um dos equívocos mais recorrentes observados em relatos de pacientes que buscam compreender por que relações aparentemente intensas terminam gerando mais sofrimento do que satisfação ao longo do tempo.

Este conteúdo analisa esse erro recorrente, explicando por que segurança emocional e intensidade não são sinônimos, e como reconhecer essa diferença na prática.

O que leva tantas pessoas a confundir intensidade com segurança emocional? 

O erro central está em acreditar que, quanto mais intensa a relação, mais verdadeira ela é, como se a ausência de altos e baixos indicasse falta de envolvimento genuíno entre as pessoas. Essa crença costuma levar à valorização de oscilações emocionais como sinal de que algo relevante está em jogo, quando, na prática, elas indicam instabilidade.

Associar altos e baixos emocionais à prova de amor é outra manifestação comum desse padrão. Períodos de distanciamento seguidos de reaproximações intensas passam a ser vistos como parte necessária de uma relação significativa, e não como sinal de que algo no vínculo precisa de ajuste.

Interpretar instabilidade como demonstração de envolvimento fecha esse ciclo: quanto mais imprevisível o comportamento do outro, mais a pessoa se sente desejada ou importante, um raciocínio compreensível diante de certas histórias afetivas, mas que raramente sustenta relações saudáveis ao longo do tempo.

As origens da associação entre intensidade e segurança emocional 

Essa associação costuma ter origem em experiências afetivas anteriores, especialmente vínculos de infância marcados por atenção inconsistente, em que afeto e conflito apareciam sempre próximos um do outro. Quando esse é o modelo de relacionamento aprendido, amor e instabilidade passam a ser percebidos como parte da mesma experiência.

Conforme detalha Taiza Tosatt Eleoterio, esse modelo aprendido costuma se combinar a uma necessidade de validação que só encontra satisfação em picos emocionais intensos, já que momentos de calma, sem esse tipo de intensidade, passam a ser sentidos como indiferença ou desinteresse por parte do outro.

Idealizações sobre o amor, reforçadas culturalmente, também contribuem para essa confusão, ao associar romance a drama e paixão a sofrimento. Do ponto de vista do funcionamento psíquico dos vínculos, esse padrão tende a se manter até que a pessoa consiga identificar conscientemente a origem dessa associação e passe a questioná-la.

Como esse erro afeta a qualidade dos relacionamentos? 

A primeira consequência costuma ser a dificuldade para reconhecer relações seguras quando elas de fato aparecem, já que a ausência de conflitos intensos é interpretada como sinal de desinteresse, e não como característica de um vínculo estável. Isso leva, com frequência, ao afastamento precoce de relações potencialmente saudáveis.

Como pondera Taiza Tosatt Eleoterio, esse padrão também favorece a permanência em vínculos instáveis por períodos mais longos do que seria saudável, já que os momentos de reconciliação intensa renovam repetidamente a expectativa de que a relação vai se estabilizar, mesmo quando o padrão de instabilidade se repete.

Esse ciclo tende a se repetir entre diferentes relações, gerando ansiedade constante e, com o tempo, uma confusão entre sofrimento e envolvimento, como se a intensidade do desgaste emocional fosse proporcional à profundidade do vínculo vivido.

Segurança emocional se constrói na estabilidade dos vínculos 

Diferente da imagem de relação “sem graça”, segurança emocional se caracteriza por previsibilidade nas respostas do outro, confiança construída ao longo do tempo, possibilidade real de diálogo diante de divergências, respeito aos limites de cada pessoa e estabilidade afetiva. Esses elementos sustentam vínculos duradouros sem depender de picos de tensão para parecerem relevantes.

A leitura desenvolvida por Taiza Tosatt Eleoterio reforça que relações seguras não são relações sem conflitos, mas relações em que os conflitos não colocam o vínculo inteiro em risco a cada ocorrência, permitindo que divergências sejam resolvidas sem ameaçar a continuidade da relação como um todo.

A intensidade pode fazer parte de qualquer relação, mas não é um indicador confiável de segurança emocional, e o objetivo não é eliminar toda forma de intensidade, algo pouco realista em qualquer vínculo humano, mas parar de depender da instabilidade para que a relação pareça significativa. Taiza Tosatt Eleoterio conclui que essa mudança de perspectiva costuma ser gradual, exigindo tempo para reconhecer, na própria história, a origem da associação entre instabilidade e amor.

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