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Estilo minimalista ainda resiste às tendências passageiras

Estilos decorativos entram e saem de moda em poucas temporadas. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, destaca o minimalismo como uma exceção rara a essa lógica, sustentada mais por princípio de projeto do que por estética do momento. Enquanto paletas de cor e objetos virais perdem força em poucos meses, esse estilo segue relevante décadas depois de ter surgido.

A pergunta que fica é por que um estilo criado no século passado continua atual, enquanto tantas tendências recentes já perderam força. A resposta passa menos por estética e mais por princípio de projeto, algo que raramente aparece nas fotos que circulam nas redes sociais e que explica boa parte dessa resistência ao tempo. O minimalismo não promete um visual específico: promete um raciocínio sobre o que cada ambiente realmente precisa.

De onde vem a ideia de que o minimalismo é uma tendência

O minimalismo nasceu como reação ao excesso, entre os anos 1960 e 1970, quando movimentos artísticos como o construtivismo defendiam que a forma deveria seguir apenas a função. A frase atribuída ao designer Dieter Rams, de que o bom design é o mínimo design possível, resume essa origem e ainda orienta boa parte dos projetos contemporâneos.

Décadas depois, o rótulo de tendência colou no estilo por causa da estética que ele popularizou nas redes sociais: paredes claras, poucos móveis, paleta neutra. Só que o princípio por trás dessa estética já existia muito antes das fotos de interiores viralizarem, e continua o mesmo hoje, independentemente do que aparece em destaque nos feeds. Confundir a superfície visual com a proposta de projeto é o principal motivo de quem trata o minimalismo como moda passageira.

O que separa modismo de estilo duradouro?

Modismo depende de repetição visual: quando a mesma cor, textura ou objeto aparece em toda parte, o público associa aquilo a um momento específico, não a um princípio de projeto. Daugliesi Giacomasi Souza sinaliza que o minimalismo escapa dessa armadilha justamente por não depender de um elemento decorativo específico para funcionar.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Enquanto tendências passageiras se apoiam em objetos, cores ou texturas do momento, o minimalismo se apoia em critério: reduzir o supérfluo, valorizar a função de cada peça e deixar o espaço vazio respirar. O critério não perde validade quando a moda muda, porque nunca dependeu dela, e é justamente essa independência que sustenta sua permanência.

Por que ambientes minimalistas envelhecem bem?

Na leitura de Daugliesi Giacomasi Souza, a longevidade de um projeto minimalista está ligada à escolha de materiais duráveis, como madeira maciça, pedra natural e tecidos naturais, que dispensam substituição frequente e envelhecem sem perder qualidade estética ao longo dos anos.

Ambientes carregados de elementos decorativos tendem a datar mais rápido, porque cada objeto carrega a marca visual do período em que foi escolhido. Quanto menos elementos compõem um cômodo, menos pontos existem para que o tempo revele que aquele projeto pertence a uma época específica, o que reduz a necessidade de reformas frequentes só para atualizar a estética. Trocar um tapete ou um vaso, em vez de refazer o ambiente inteiro, costuma bastar para renovar a sensação de atualidade.

Como manter a proposta sem cair na monotonia?

O risco do minimalismo mal executado é a frieza. Ambientes com poucos móveis e cores neutras em excesso podem parecer vazios ou impessoais quando a variação fica só na quantidade de itens, sem cuidado com textura, luz natural e proporção entre os elementos que permanecem no cômodo.

A textura resolve boa parte desse problema: manta, linho, madeira crua e cerâmica acrescentam camadas sensoriais sem quebrar a proposta original. Daugliesi Giacomasi Souza expõe esse cuidado como o que separa um ambiente minimalista bem resolvido de um espaço apenas esvaziado de móveis e sem identidade própria.

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