Noticias

Tendências tecnológicas sem critério de negócio saem caro

Toda tendência tecnológica nova passa pelo mesmo roteiro: promessa de revolução, adoção em massa movida por medo de ficar para trás e, meses depois, uma fatia relevante dos projetos abandonada antes de gerar qualquer resultado. O padrão é conhecido no mercado de tecnologia há décadas, e mesmo assim continua pegando empresas de surpresa a cada novo ciclo.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO com atuação em inovação tecnológica, revela que o erro raramente está na tecnologia escolhida. Está na ordem das perguntas: a empresa deveria partir do problema de negócio e só depois buscar a ferramenta certa, não o contrário, correndo atrás da novidade para depois inventar um uso para ela.

Toda tendência promete revolução antes de provar valor

Consultorias que acompanham o ciclo de maturidade de novas tecnologias descrevem um padrão recorrente: expectativa inflada logo na chegada, seguida de uma queda brusca de interesse quando a ferramenta não entrega o que prometeu no ritmo esperado. Só depois desse vale vem o platô de produtividade real, quando a tecnologia encontra seu uso efetivo dentro das operações que fazem sentido para ela.

O problema é que a maioria das empresas decide investir justamente na fase de expectativa inflada, quando o entusiasmo é maior e a evidência de resultado ainda é mínima. Quem entra nesse momento paga o preço mais alto pela tecnologia e corre o maior risco de abandonar o projeto antes de chegar ao platô em que ela realmente funciona.

Adotar tendência sem problema definido é comprar solução atrás do problema

Muitas iniciativas de tecnologia começam pela ferramenta, não pelo problema que ela deveria resolver. A empresa compra a plataforma, contrata a consultoria, monta o piloto e só depois tenta encaixar um caso de uso que justifique o investimento já feito. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira informa que essa inversão de ordem é responsável pela maior parte dos projetos que funcionam tecnicamente, mas nunca geram impacto mensurável no negócio.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

A lógica correta começa no sentido oposto: mapear qual processo está lento, caro ou sujeito a erro, e só então avaliar se alguma tendência tecnológica resolve esse problema específico melhor do que a alternativa já em uso. Quando a pergunta inicial é “qual ferramenta devemos adotar” em vez de “qual problema precisamos resolver”, o projeto já nasce sem critério de sucesso claro.

O critério que separa tendência que fica da que passa

Parcela relevante dos projetos-piloto de tecnologia emergente nunca chega à produção, principalmente por falta de dados preparados e de processo estruturado ao redor da ferramenta escolhida. Isso vale tanto para automação quanto para qualquer tecnologia que dependa de integração real com sistemas já existentes na empresa, o que, na prática, é quase toda tecnologia relevante para uma operação de médio ou grande porte.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira indica três perguntas que costumam separar tendência que vira operação permanente de modismo passageiro: existe um problema de negócio claro por trás da adoção, existe dado ou processo estruturado o suficiente para sustentar a ferramenta, e existe forma de medir o retorno além do entusiasmo inicial da equipe.

Avaliar tendência é filtro estratégico, não corrida por novidade

Ignorar tendência tecnológica por cautela excessiva também tem custo, porque concorrentes que a adotam cedo e bem podem ganhar vantagem real difícil de recuperar depois. O ponto não é evitar novidade nem esperar a tecnologia amadurecer sozinha em outro lugar. É aplicar critério antes de investir tempo, orçamento e atenção da equipe numa ferramenta só porque ela está em alta no mercado naquele trimestre.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira considera que empresas maduras tratam tendência tecnológica como hipótese a testar com critério definido antes do piloto, não como decisão automática só porque todo concorrente está falando sobre ela. Esse filtro, mais do que a tecnologia em si, é o que determina se o investimento vira vantagem ou vira prejuízo silencioso no orçamento do ano seguinte.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo