Noticias

Márcio Alaor de Araújo revela o sistema por trás da alta performance

Para o executivo do mercado financeiro, Márcio Alaor de Araújo, superar metas corporativas depende menos da ferramenta escolhida e mais da disciplina com que ela é usada no dia a dia. Isso ajuda a entender por que métodos sofisticados, sozinhos, raramente mudam o placar do trimestre.

O padrão se repete em organizações de portes diferentes. A diretoria define números ambiciosos no planejamento anual, distribui as metas entre as áreas e só volta a olhar para elas no fechamento. Nesse intervalo, ninguém sabe se o time está no caminho certo.

Alta performance não nasce de esforço extra na última semana do período. Ela vem de um sistema que torna o progresso visível e antecipa desvios. Três ferramentas consagradas ajudam a montar esse sistema, desde que aplicadas com critério. Confira a seguir como cada uma funciona.

OKRs: como separar a ambição do que pode ser medido?

Imagine uma área comercial que recebe a meta de crescer com qualidade. Sem critério de medição, cada gestor interpreta a frase de um jeito, e a equipe dispersa energia. Os OKRs, sigla em inglês para objetivos e resultados-chave, surgiram para eliminar esse tipo de ambiguidade.

O método, desenvolvido por Andy Grove na Intel e difundido depois no Google, combina um objetivo qualitativo com três a cinco resultados-chave numéricos. O objetivo diz aonde a empresa quer chegar. Os resultados-chave dizem como ela vai saber que chegou.

Márcio Alaor de Araújo avalia que o maior ganho dos OKRs está no ciclo curto, geralmente trimestral, que obriga a liderança a revisar prioridades antes que o ano se perca. Um resultado-chave parado há seis semanas deixa de ser número na planilha e vira alerta.

Balanced Scorecard: o equilíbrio entre o financeiro e o que vem antes dele

Resultado financeiro é consequência, não ponto de partida. Essa é a lógica do Balanced Scorecard, modelo proposto por Robert Kaplan, professor de Harvard, e pelo consultor David Norton. A estratégia se divide em quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Lido em cadeia, o modelo fica claro. Equipes bem preparadas aperfeiçoam os processos. Processos melhores elevam a satisfação dos clientes, e clientes satisfeitos sustentam a receita. Quem acompanha apenas a última etapa só enxerga o problema depois que ele virou prejuízo.

No mercado financeiro, essa visão ganha peso. Uma instituição que mede apenas captação e rentabilidade pode ignorar o aumento de reclamações ou a saída de profissionais experientes. Esses sinais antecipam perdas que o balanço só revela meses depois.

Indicadores de tendência e o ciclo PDCA na rotina da equipe

Uma equipe de vendas que só confere o faturamento no fim do mês está olhando pelo retrovisor. Se acompanhar as propostas enviadas e a conversão semanal, passa a enxergar o resultado antes que ele aconteça. Essa é a diferença entre indicadores de resultado e de tendência.

O ciclo PDCA, associado ao estatístico W. Edwards Deming dá ritmo a esse acompanhamento: planejar, executar, checar e agir. Sob esse olhar, Márcio Alaor de Araújo descreve a reunião de resultados como espaço de decisão: ela só gera valor quando termina com responsáveis e prazos definidos.

Na rotina, encontros curtos e frequentes funcionam melhor do que longas apresentações mensais. Quinze minutos por semana, com os mesmos três ou quatro indicadores na tela, bastam para perceber um desvio cedo. A regularidade, mais do que a sofisticação do painel, transforma dado em comportamento.

Metas superadas começam na cultura, não no painel

Por que, então, tantas empresas adotam essas ferramentas e continuam longe das metas? Em geral, o método é implantado como exigência burocrática. Os indicadores são preenchidos em dia, mas ninguém muda uma decisão com base neles.

Gestão por resultados exige uma cultura em que o número serve para aprender, e não para punir. Quando errar uma projeção, gera represália; as equipes propõem metas tímidas e escondem desvios. Quando o erro vira informação, a meta pode ser desafiadora sem gerar medo.

Esse raciocínio leva Márcio Alaor de Araújo a considerar a liderança a verdadeira ferramenta de alta performance. OKRs, Balanced Scorecard e PDCA organizam a execução, mas quem define se eles vão gerar resultado ou apenas relatórios é o gestor, que decide o que medir e o que reconhecer.

 

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo