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Como mapear stakeholders em projetos corporativos antes que eles mapeiem você, com Haroldo Augusto Filho

Projetos corporativos que encontram resistência inesperada raramente foram surpreendidos por algo imprevisível. Foram surpreendidos por algo que teria sido identificado se o mapeamento de stakeholders tivesse sido feito com o rigor que a situação exigia. Segundo Haroldo Augusto Filho, executivo com atuação em negociação empresarial, gestão de conflitos e estruturação de soluções em ambientes corporativos complexos, mapear as partes interessadas de um projeto não é uma etapa burocrática de planejamento: é o trabalho que determina se o projeto vai encontrar o ambiente que precisa para se concretizar ou vai gastar energia reagindo a bloqueios que poderiam ter sido antecipados. O que segue é um percurso pelas dimensões desse mapeamento que fazem diferença real quando o projeto começa a se mover.

Identifique quem é afetado, quem influencia e quem decide

O primeiro erro no mapeamento de stakeholders é tratar as três categorias como se fossem a mesma coisa. Quem é afetado pelo projeto nem sempre tem poder de influenciar seu curso. Quem influencia nem sempre tem autoridade formal para decidir. E quem decide nem sempre é quem mais determina se o projeto vai se concretizar, porque decisões formais dependem de comportamentos informais para produzir resultado.

Haroldo Augusto Filho considera que separar essas três categorias com clareza é o ponto de partida de qualquer mapeamento útil. Partes que são afetadas pelo projeto, mas não têm poder de influência, precisam ser informadas de forma adequada, mas não exigem o mesmo investimento de alinhamento que partes com poder de influência sobre o resultado. Partes que influenciam sem ter autoridade formal precisam de atenção específica, porque seu comportamento determina o ambiente em que a decisão formal vai ou não se traduzir em implementação real. E partes com poder de decisão precisam de um processo de engajamento que vá além da comunicação e chegue ao nível de construção de alinhamento genuíno antes que a decisão seja formalizada.

Avalie nível de interesse e nível de poder para cada parte relevante

Para cada stakeholder identificado, duas perguntas precisam de resposta antes que qualquer estratégia de engajamento seja definida: qual é o nível de interesse dessa parte no resultado do projeto e qual é o nível de poder que ela tem sobre esse resultado? A combinação dessas duas dimensões determina o tipo de atenção que cada parte exige ao longo do processo.

Na perspectiva de Haroldo Augusto Filho, o erro mais comum nessa etapa é concentrar esforço nas partes com alto poder e ignorar as com alto interesse e poder médio, que frequentemente têm capacidade de criar ruído suficiente para comprometer a implementação, mesmo sem poder formal de bloquear o projeto. Partes com alto interesse e poder médio são as que mais frequentemente se tornam fontes de resistência ativa quando não recebem atenção proporcional ao seu interesse, porque o não engajamento é interpretado como desconsideração, e desconsideração produz oposição mesmo onde não existia antes.

Haroldo Augusto Filho
Haroldo Augusto Filho

Mapeie posição atual e posição desejada de cada parte

Saber quem são os stakeholders e qual é seu poder não é suficiente para construir uma estratégia de engajamento. É preciso saber também onde cada parte está hoje em relação ao projeto, se é apoiadora, neutra ou opositora, e onde seria necessário que estivesse para que o projeto avançasse nas condições adequadas. Essa distância entre posição atual e posição desejada é o que define o esforço de engajamento necessário para cada parte.

Haroldo Augusto Filho ressalta que esse mapeamento precisa ser honesto sobre a posição atual de cada parte, incluindo as que aparentam apoio, mas cujo comportamento sugere neutralidade ou resistência velada. Partes que declaram apoio formal, mas que consistentemente encontram razões para não colaborar de forma ativa, estão, na prática, numa posição diferente da que declaram, e tratá-las como apoiadoras genuínas é um erro que compromete o planejamento do engajamento necessário para que o projeto avance.

Defina uma abordagem específica para cada grupo relevante

Com o mapeamento completo, o próximo passo é definir abordagens distintas para grupos com características distintas. Partes com alto poder e posição de apoio precisam de manutenção: o risco com elas não é convertê-las, mas perdê-las por falta de atenção durante a execução do projeto. Partes com alto poder e posição neutra ou indefinida precisam de investimento ativo de engajamento antes que o projeto ganhe momentum, porque é muito mais difícil converter uma parte que já se posicionou como opositora do que construir alinhamento com uma que ainda não formou posição.

Como reforça Haroldo Augusto Filho, partes com alto poder e posição de oposição clara exigem uma análise específica antes de qualquer tentativa de engajamento: o que está por trás da oposição? É uma discordância sobre o mérito do projeto, uma preocupação sobre como ele afeta seus interesses específicos, ou uma disputa de poder que usa o projeto como arena? Cada uma dessas origens exige uma abordagem diferente, e tratá-las da mesma forma é o que transforma esforços de engajamento bem-intencionados em intervenções que aprofundam a resistência em vez de reduzi-la.

Revise o mapeamento ao longo do projeto, não apenas no início

Mapeamentos de stakeholders feitos apenas no início de um projeto tratam as posições das partes como estáticas, quando elas são dinâmicas. Partes que começaram como apoiadoras podem se tornar neutras se perceberem que o projeto está se afastando do que foi prometido. Partes neutras podem se tornar opositoras se outros stakeholders com influência sobre elas mudarem de posição. E partes que pareciam periféricas podem ganhar relevância à medida que o projeto avança e afeta interesses que não eram visíveis no início.

Haroldo Augusto Filho destaca que revisar o mapeamento em intervalos regulares ao longo da execução do projeto é o que permite identificar mudanças de posição antes que elas se tornem bloqueios consolidados. Essa revisão não precisa ser um processo formal complexo: precisa ser uma pergunta feita com regularidade sobre cada parte relevante, se o comportamento observado ainda corresponde à posição mapeada anteriormente, e o que uma eventual divergência entre os dois pode estar sinalizando sobre o que mudou no ambiente do projeto desde a última vez que essa pergunta foi feita.

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