O impacto financeiro do esporte no Brasil vem ganhando destaque nas últimas análises econômicas, revelando uma realidade que há muito tempo é subestimada pelos gestores públicos. Mesmo representando uma parcela significativa do Produto Interno Bruto, a indústria esportiva segue enfrentando barreiras estruturais para consolidar seu protagonismo nos planejamentos de governo. A importância desse setor vai além das competições e eventos; ele movimenta bilhões, gera empregos e influencia diretamente mais de vinte segmentos da economia nacional, consolidando-se como um agente fundamental no desenvolvimento sustentável do país.
Ainda que o desempenho econômico do esporte seja expressivo, a ausência de políticas públicas sólidas e bem direcionadas impede que seu potencial seja totalmente explorado. A dificuldade não está na escassez de recursos, mas sim na qualidade de sua aplicação. Falta estratégia, continuidade e, principalmente, prioridade. A gestão pública costuma relegar o esporte a um plano secundário, tratando-o como um apêndice cultural ou recreativo, quando, na verdade, ele representa uma engrenagem potente para transformar realidades sociais, gerar renda e promover saúde e educação de maneira transversal.
A divulgação do primeiro relatório sobre a participação do esporte no PIB brasileiro trouxe à tona dados que comprovam sua relevância e a urgência de ações mais assertivas. Com mais de 183 bilhões movimentados em um único ano, o setor se mostra mais representativo economicamente que outras áreas tradicionalmente valorizadas. Isso reforça a necessidade de se pensar o esporte como investimento, e não apenas como despesa. Cada real destinado ao setor retorna multiplicado, gerando uma cadeia produtiva que se expande em várias direções e fortalece o tecido econômico e social do país.
Apesar dos avanços na mensuração dos impactos econômicos, ainda há um vácuo considerável na coleta e organização de dados que possam sustentar decisões mais inteligentes e eficientes. A informalidade, a ausência de regulamentação em certos segmentos, como os e-sports, e a pirataria de produtos esportivos são obstáculos concretos que impedem a plena visibilidade do setor. Sem dados precisos, o planejamento se torna falho, e o investimento perde em efetividade. A construção de uma cultura de transparência e análise técnica é um passo essencial para elevar o esporte ao patamar que ele realmente ocupa na prática.
Outro ponto crítico que evidencia a carência de políticas públicas específicas para o setor esportivo é a pouca valorização dos seus benefícios sociais. Além dos números bilionários, o esporte é um instrumento de transformação social. Ele retira jovens da vulnerabilidade, promove inclusão, disciplina e cria oportunidades que vão muito além das quatro linhas. O Brasil precisa compreender o esporte como ferramenta estratégica de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento humano e não apenas como espetáculo ou entretenimento sazonal.
Com o avanço da regulamentação das apostas esportivas e o fortalecimento de novas frentes de receita, o esporte brasileiro tende a ampliar ainda mais sua relevância econômica nos próximos anos. Esse crescimento, no entanto, precisa vir acompanhado de uma estrutura política que compreenda e acompanhe essa expansão. O desafio está em criar políticas consistentes, com metas claras, monitoramento eficiente e atuação coordenada entre União, estados e municípios. O Brasil não pode continuar desperdiçando um ativo tão valioso por falta de visão administrativa.
Além da estrutura política, o esporte também necessita de reconhecimento institucional. Ele precisa estar inserido nos espaços de decisão que definem o futuro econômico do país. É fundamental que haja representatividade qualificada nos fóruns de debate, nas comissões de planejamento e nas reuniões estratégicas que moldam as políticas nacionais. Dar voz ao setor esportivo é reconhecer sua importância real. O esporte não pode mais ser tratado como algo periférico, pois seus impactos são centrais para o desenvolvimento de uma nação moderna e competitiva.
O futuro do esporte no Brasil dependerá diretamente da capacidade do poder público em perceber e valorizar seu potencial. Com os dados agora disponíveis, o argumento técnico está posto e não há mais espaço para ignorar sua força. A oportunidade está criada para transformar o esporte em uma política pública de Estado, com investimentos planejados, retorno garantido e benefícios sociais amplos. O momento exige coragem política, visão estratégica e compromisso com um Brasil que quer crescer sustentado em pilares sólidos — e o esporte é, sem dúvida, um deles.
Autor: Lebedev Petrov